“Há tantos filhos que bem mais que um palácio
Gostariam de um abraço e do carinho de seus pais
Se os pais amassem o divórcio não viria
Chame a isso Utopia
Eu a isso chamo paz”

Sem dúvida a música é muito importante para todos nós. Ela nos traz lembranças, resgata sensações e sentimentos, faz-nos crer no impossível. Esta música, sem dúvida é uma daquelas que não sai da nossa cabeça. Talvez pela simplicidade da sua forma musical, ou pela sua letra que, ou nos trás uma verdade à tona, à nossa lembrança, ou nos projeta para um sonho, para uma realidade ao qual nós não tivemos, mas desejamos criar.

Em musicoterapia, o resgate da nossa parte saudável acontece a todo momento, pois quando nos deparamos com canções que nos tocam, que comovem o nosso espírito, criando a possibilidade de fugirmos rapidamente da realidade, de uma realidade vazia, insossa, para algo novo, algo sadio, dá a possibilidade de recriar esta realidade atual, reescrever a nossa história.

Quantas vezes, diariamente, nos remetemos à nossa infância, ao nosso lar, ou até mesmo a dificuldade, a falta dele? No entanto, quantas oportunidades estamos criando ao reescrevermos a nossa história?

Atualmente vivemos uma realidade ampla. Talvez este seja o melhor sentido para explicá-la. Ampla nas opções, ampla nas tarefas, ampla nas decisões, nas escolhas, no discernimento. Porém quais escolhas temos tomado para que esta realidade ampla seja convergida em um ponto essencial? No caso da música Utopia, do Padre Zezinho, ele nos dá um caminho. O caminho da família, que também enfrenta uma realidade difícil, mas que acredita que o amar seja simples.

Ao fim, o compositor (Padre Zezinho) nos dá claramente um caminho que, ao invés de pensarmos em ser uma grande utopia, não é. O caminho da paz, da família sólida, através dos simples atos, através da simplicidade do lar, de viver a vida. Isto sim é possível, e “chame a isto de utopia: o divórcio – o direito de escolha, a falsa liberdade”.

Utopia
Padre Zezinho

Das muitas coisas do meu tempo de criança
Guardo vivo na lembrança o aconchego do meu lar
No fim da tarde quando tudo se aquietava
A família se ajuntava lá no alpendre a conversar
Meus pais não tinham nem escola e nem dinheiro
Todo o dia o ano inteiro trabalhavam sem parar
Faltava tudo mas a gente nem ligava o importante não faltava
Seu sorriso e seu olhar

Eu tantas vezes vi meu pai chegar cansado
Mas aquilo era sagrado um por um ele afagava
E perguntava quem fizera estripolia
E mamãe nos defendia e tudo aos poucos se ajeitava
O sol se punha, a viola alguém trazia
Todo mundo então queria ver o papai cantar com a gente
Desafinado meio rouco voz cansada
Ele cantava mil toadas, em seu olhar no sol poente

Correu o tempo e hoje eu vejo a maravilha
De se ter uma família quando tantos não a têm
Agoram falam do desquite do divórcio
O amor virou consórcio compromisso de ninguém
Há tantos filhos que bem mais que um palácio
Gostariam de um abraço e do carinho de seus pais
Se os pais amassem o divórcio não viria
Chame a isso Utopia
Eu a isso chamo paz